
Quem chega à Praia do Campeche pela Avenida Pequeno Príncipe percebe, antes mesmo de entender: a Ilha do Campeche não é apenas ilha.
Há nela um corpo antigo, adormecido há milhares de anos. Um dragão em repouso. Lá estão, a cabeça, o dorso (onde repousam as asas), o corpo e a parte não submersa do rabo.
De tanta gente chegar à praia e perguntar: É um Dragão, não é? É o Dragão, não é? Ficou conhecido como Dragão Noé.
Reza a Profecia do Campeche que Noé, o dragão, vai despertar do sono decamilenar. Erguer-se de seu esplêndido berço. Alçar vôo. Lançar o brado de fogo. Acordar os tempos. E anunciar o recomeço.
Ao pôr-do-sol daquele dia Noé emitirá o chamado de dez mil megatons. As luzes apagarão. Os ventos uivarão. Raios e trovões rasgarão a Terra. Céus e mares tremerão.
Depois que montanhas, pedras, mares e rios se acalmarem, Noé retornará ao Campeche. O Dragão voltará a ser ilha em seu sono de dez mil anos.
Ao raiar da alvorada, trombetas anunciarão a aurora. Pelos arredores, os ventos soprarão Assim falou Zaratustra. Os acordados subirão o Monte Sem Sinal.
E daí,…
…bom, daí vai começar tudo outra vez. O caminho se dará ao caminhar.

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