Delman Ferreira, nome literário de Delman Sérgio Ferreira, é escritor catarinense, manezinho de Florianópolis.
Nascido na Rua Tiradentes e criado no morro da Malária e no Morro do Júlio Dias, sua trajetória atravessa diferentes momentos da história brasileira recente: o esporte, o movimento sindical, os debates sobre privatizações e serviços públicos, a formulação de políticas de infraestrutura, o setor elétrico e, mais recentemente, a literatura.

Uma vida em movimento
O esporte acompanha diferentes períodos da trajetória de Delman Ferreira. Entre 1969 e 1980, dedicou-se especialmente ao remo e ao atletismo.

No remo, defendeu o Clube de Regatas Aldo Luz, de Florianópolis, onde ficou conhecido como “Baiano” — apelido que nada tinha a ver com sua origem. Manezinho, nascido na Maternidade Dr. Carlos Corrêa, em Florianópolis, nunca havia morado na Bahia. O nome surgiu de uma brincadeira entre os companheiros. Naqueles anos, Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso e Maria Bethania, eram referências marcantes da música brasileira, enquanto os cabelos crespos e volumosos, no estilo black power, afirmavam-se também como expressão estética entre jovens negros. Delman usava o cabelo assim. A associação foi imediata: virou “Baiano”. E Baiano ficou.
Paralelamente, dedicou-se ao atletismo, competindo nos 400 metros, 400 metros com barreiras e decatlo. Integrando a equipe de Florianópolis, tornou-se recordista catarinense no revezamento 4 × 400 metros, no Campeonato Estadual Catarinense de Atletismo realizado em Rio do Sul. Entre os integrantes daquela equipe estavam Alberto Philippi e Paulo Paulino Machado.

A atividade esportiva estendeu-se pelos anos de universidade. Seu nome aparece também nos registros da imprensa entre os atletas da Universidade Federal de Santa Catarina em competições universitárias nacionais.
No final da década de 1990, acrescentou outro esporte à sua trajetória. Entre 1997 e 1998, passou a velejar e participou de regatas de vela oceânica em Santa Catarina. Em 1998, velejando com o Capitão Luiz Antonio Maciel Dantas, a guarnição obteve resultados de destaque: conquistou o segundo lugar no Campeonato Estadual de Oceano e o primeiro lugar na Regata de Aniversário de 55 anos, competições promovidas no âmbito da Federação de Vela do Estado de Santa Catarina (FEVESC).
Ao se mudar para Brasília, em 1999, voltou às pistas, desta vez nas corridas de rua. Ao longo dos anos, participou de inúmeras provas de 5, 10 e 15 quilômetros. Em 2006, correu a Meia Maratona Internacional de Brasília. No ano seguinte, participou da Maratona de Revezamento de Brasília e, em setembro de 2007, da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro.

Décadas mais tarde, voltou também ao remo competitivo. Em 2014, participou da 41ª Regata Remo do Futuro, no Rio de Janeiro, representando o Clube de Regatas do Flamengo. Sua guarnição conquistou o segundo lugar entre seis participantes.
O retorno ao remo prosseguiu nos anos seguintes. Em 2022, integrando a equipe do Corinthians Esporte Clube, participou do Campeonato Sul-Americano de Remo Master, realizado na Raia Olímpica da USP, em São Paulo. Na prova de Four Skiff Misto, classe 65+, sua equipe conquistou o terceiro lugar.
Em setembro de 2025, novamente pelo Corinthians, levou esse retorno às águas para uma competição internacional: participou do World Rowing Masters Regatta, em Banyoles, na Espanha. Competiu ao lado de Bruno F. Lopes Ventura na prova H 2x — Double Skiff, categoria H (70 a 74 anos).

Da universidade ao movimento sindical
Em 1979/1980, Delman participou do movimento de criação do Partido dos Trabalhadores em Santa Catarina. Em 1983, participou do Congresso de Fundação da Central Única dos Trabalhadores – CUT.
Delman ingressou na TELESC (Telecomunicações de Santa Catarina S.A.), em 1973, por meio de concurso público, como Programador de Computador. Em 1980, também por concurso, passou a integrar os quadros da Eletrosul (Centrais Elétricas do Sul do Brasil S.A.), inicialmente como Programador de Computador, depois como Analista de Suporte. Em 1999, novo concurso público, ingressou como Assessor Técnico na Câmara dos Deputados e, a partir de 2002, passou a exercer a mesma função no Senado Federal. Entre 2009 e 2015, quando se aposentou, exerceu o cargo de Assessor da Presidência da Eletronuclear para Promoção do Desenvolvimento Social (Eletrobras Termonuclear S.A.).
Como trabalhador do setor elétrico, tornou-se dirigente do Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis.
Entre 1988 e 1991, integrou a Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores — CUT, ocupando o cargo de Primeiro Secretário. Período marcado pela redemocratização do país, pelas grandes mobilizações sindicais e pelo debate sobre o futuro das empresas públicas.

Em novembro de 1989, como dirigente da Executiva Nacional da CUT, representou a central no Congresso Internacional de Trabalhadores realizado em Moscou. Durante 25 dias, teve a oportunidade
de observar de perto aspectos da sociedade soviética, num momento de profundas transformações políticas e sociais, apenas dois anos antes da dissolução da URSS.
Em 1990, durante o governo Fernando Collor de Mello, foi um dos líderes da greve dos eletricitários e dos movimentos de resistência às políticas de privatização. Essa atuação sindical resultou em sua demissão, episódio que provocou manifestações da direção nacional da CUT.
No início da década de 1990, juntamente com Luiz Césare Vieira, formulou a tese Sindicato Cidadão. Apresentada inicialmente no Congresso da CUT de Santa Catarina e posteriormente levada ao Congresso Nacional da Central, a proposta defendia uma atuação sindical que ultrapassasse as reivindicações corporativas e participasse dos debates mais amplos sobre cidadania e os rumos da sociedade.
Essa reflexão levou-o também a outros espaços de discussão no Brasil e no exterior. Participou do Fórum Nacional coordenado pelo ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, onde apresentou o trabalho Sindicato Cidadão. Participou ainda de um fórum internacional promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, D.C.; e, no mesmo ano, da reunião anual da Society for International Development (SID), em Amsterdã.
Serviços públicos e infraestrutura
A discussão sobre o papel do Estado e dos serviços públicos continuou presente em sua trajetória.
Em 1995, publicou Análise das Leis de Concessões de Serviços Públicos, obra editada pela Intersindical dos Eletricitários do Sul do Brasil e atualmente registrada no acervo do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina.
Em abril de 2002, passou a atuar no Senado Federal, integrando a assessoria técnica da Liderança do Partido dos Trabalhadores, onde ficou responsável especialmente pela área de infraestrutura.
Naquele mesmo ano, integrou a equipe de sistematização dos temas de Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura do Programa de Governo da Coligação Lula Presidente. Em setembro, representou Luiz Inácio Lula da Silva em uma exposição promovida pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), apresentando e debatendo as propostas da candidatura para essas áreas.
Permaneceu na assessoria técnica da Liderança do PT no Senado até 2009.
Posteriormente, atuou como assessor da Presidência da Eletronuclear para Promoção do Desenvolvimento Social.
Estradas pelo Brasil

As estradas também fizeram parte de sua trajetória. Em 2002, comprou uma moto Aprilia 650 e passou a viajar de motocicleta a partir de Brasília, percorrendo cidades e estradas de Goiás e Minas Gerais. Depois, afastou-se das motos por sete anos.
Em 2016, voltou às estradas com uma BMW F 800 GS. Com ela, realizou inúmeras viagens pelo Brasil, percorrendo Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e Bahia. Mais do que deslocamentos, essas viagens ampliaram seu contato com paisagens, cidades e modos de vida de diferentes regiões do país.
Entre afetos e gerações
Desde 2002, Delman é casado com Laura Porto. De personalidade forte e questionadora, Laura é também seu contraponto: põe dúvidas em suas certezas e o ajuda a manter os pés no chão quando elas se alçam além da realidade.
Pai de seis filhos e avô de nove netos, encontra na convivência familiar uma forma permanente de aprendizado. Filhos e netos, pertencentes a diferentes gerações, são interlocutores que o ajudam a compreender novas linguagens, comportamentos, tecnologias e maneiras de enxergar o mundo.
Essa convivência entre gerações mantém aberto o diálogo entre memória e presente — entre aquilo que a experiência ensina e aquilo que o tempo obriga a reaprender.
Delman Ferreira, escritor

Na literatura, passou a assinar principalmente como Delman Ferreira.
Em 2012, publicou Morro do Baco Baco — memórias na forma de crônicas e contos.
Em 2023, publicou Sai da frente, estafermo! — uma saga de mulheres negras, em coautoria com Paulo Sá Brito. A obra acompanha cinco gerações de mulheres negras de uma mesma família e tem como ponto de partida manuscritos e memórias deixados por Leopoldina, mulher negra escravizada, alfabetizada, nascida em 1852.
Marcolina, penta-avó, ex-escravizada — Leopoldina, tataravó, ex-escravizada — Cândida, bisavó, nascida livre — Maria Clara, avó, negra, normalista, uma das primeiras professoras negras de Santa Catarina — Diná, mãe. Cinco mulheres que orgulham e atestam a ascendência negra e manezinha de Delman.
O livro recebeu destaque no programa Autores e Livros, da Rádio Senado, e seu registro integra o acervo da Biblioteca Digital do Senado Federal.
Delman Ferreira é também autor de Ventos de Rebojo, romance profundamente ligado a Florianópolis e às transformações da sociedade brasileira.
Em sua produção literária, transita entre romance, conto e crônica. Memória, desigualdade, relações humanas, preconceito, envelhecimento, humor e transformação social estão entre os temas que atravessam seus textos.
No blog Sexta de Contos e Crônicas, publica regularmente contos e crônicas em que situações cotidianas podem revelar humor, estranhamento, afeto ou as contradições das relações humanas.
Delman Ferreira e Delman Sérgio Ferreira são a mesma pessoa?
Sim. Delman Sérgio Ferreira é o nome completo do escritor que assina sua produção literária principalmente como Delman Ferreira.
Por isso, referências encontradas na internet a Delman Sérgio Ferreira como dirigente sindical, integrante da Executiva Nacional da CUT, assessor técnico no Senado Federal ou profissional ligado ao setor elétrico referem-se à mesma pessoa que publica livros, contos e crônicas como Delman Ferreira.
Livros
1995 — Análise das Leis de Concessões de Serviços Públicos
Publicado como Delman Sérgio Ferreira.
2012 — Morro do Baco Baco
Publicado como Delman Ferreira.
2023 — Sai da frente, estafermo! — uma saga de mulheres negras
Delman Ferreira e Paulo Sá Brito.
Ventos de Rebojo
Romance de Delman Ferreira, com lançamento marcado para 19 de setembro de 2026, das 10h às 12h, no MESC (Museu da Escola Catarinense).

