Sai da frente, estafermo





Um velho caderno de anotações familiares, iniciado no século XIX, atravessa gerações até chegar às mãos de duas descendentes. Nas páginas amareladas, quase apagadas pelo tempo, começam a reaparecer vidas que a história oficial pouco registrou.

Sai da frente, estafermo! acompanha uma linhagem de mulheres negras de Florianópolis, a partir de Leopoldina, nascida escravizada em 1852, que aprendeu a ler e escrever quando isso parecia impossível para alguém em sua condição. Depois dela vêm Marcolina, Cândida, Maria Clara, Diná e outras mulheres que, geração após geração, enfrentam a escravidão, o racismo, o preconceito, as limitações impostas às mulheres e as transformações da cidade.

Entre perdas, amores, educação, trabalho, livros e resistência, suas histórias se confundem com a própria história de Florianópolis — da antiga Desterro do século XIX à cidade contemporânea. 

Mais de um século depois, Denise encontra os manuscritos e percebe que aquelas páginas guardam muito mais que lembranças de família: preservam histórias que poderiam ter desaparecido. Surge então a decisão de reconstruir a trajetória dessas mulheres e devolver-lhes um lugar na memória.

O título nasce de uma expressão que atravessa gerações da família: “Sai da frente, estafermo, não me atravanca a vida.”

Escrito por Delman Ferreira e Paulo Sá Brito, Sai da frente, estafermo! é um romance sobre ancestralidade, memória e resistência — e sobre mulheres que se recusaram a deixar que os obstáculos de seu tempo lhes atravancassem a vida.