O elo perdido

Decido tomar um café no Mercado.

— Vanderlei, um pretinho passado e um pão com almôndega.

Na contraluz, vejo dois olhos e um sorriso reluzente vindo em minha direção.

(De onde será que conheço essa figura?)

— O que achou da final?

— Ahn…?!

Vanderlei chega com o café num copo americano.

(Vasculho a cabeça para ver se lembro alguma coisa).

– Final???!!!

— A de ontem.

(olhar distraído)

— Ah, tá! É que ontem eu tive que sair.

— Sair? Como assim? O Brasil inteiro tava ligado.

(Lendo. Como é que explico isso?)

(Eu estava lendo.)

(…)

— Apostei uma caixa, tinha certeza que era ela.

(Ela? Quem? O quê? Que caixa é essa?)

(…)

O silêncio cresce entre nós.

— Você não viu?

Nego com a cabeça.

Algo se desloca no olhar dele.

Ele me olha como se eu fosse improvável.

(…)

(em que momento me desgarrei?)

— Eu… eu…

(Que Darwin nos proteja.)

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