A derradeira…

— Meu amor, eu juro, nunca mais coloco um copo de álcool na boca. Sei que já te fiz essa promessa mais de uma vez, mas podes acreditar. Eu juro. Pelo que tu quiseres, por minha mãe, pelos meninos que amo mais do que tudo. Já cometi muitos erros e tu soubeste compreender e me perdoar.

Sei, eu prejudico e envergonho vocês. Já aprendi que tô acabando com minha vida. Perdi o emprego. Vendi coisas de casa. Me vendi… tu sabes.

Vou te amar com todas as minhas forças e honrar a confiança que tu depositares em mim. Prometo. Vamos caminhar juntos, aprendendo e crescendo. Contigo, serei capaz de me tornar a melhor versão de mim. Vamos ter uma vida feliz. Já vejo a gente sentado na varanda, olhando o pôr do sol. Juli e Teo rindo e brincando no quintal. Todo mundo vai dizer: olha lá, ele era o maior bebum, agora se regenerou e trata ela como rainha. Tu vais ser tão feliz que vai ter gente com inveja. Vamos precisar nos benzer e abraçar todos os santos para afastar olho grande.

Entendes, meu amor?

Para provar, amanhã mesmo vou procurar um AA e seguir todos os passos. Um dia de cada vez.

Sei, eu te entendo, dessa vez foi sério, passei dos limites.

Mas eu juro… não foi possível me segurar quando vi ele tocar no teu cabelo, pegar na tua mão. E ainda quis dizer que era teu namorado!…  Só bati um pouquinho, tu sabes. Nem foi forte — a cadeira é que tava meio solta. Ele caiu, desmaiou, morreu, … sei lá o quê — só porque é frouxo. Eu juro que amanhã vou explicar tudo para o delegado e ele vai entender.

Tu já estás cansada das minhas promessas, mas esta é a última. Olha, vou tomar essa. Só essa. A derradeira. A partir de amanhã, não coloco mais bebida na boca.

Do balcão o gerente faz um muchocho e aponta a porta já à meia altura.

— Romeu, já vou fechar. Amanhã tu voltas e juras tudo de novo.

 

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