Um ano sem cinto de segurança

Um ano atrás, mandei uma mensagem para uma lista de amigos com um conto anexado
e um compromisso arriscado: toda sexta-feira, um texto novo.

(No final, vai um link para a mensagem inaugural).
 
A ideia parecia simples.
Toda sexta-feira, um conto.
Na prática, era uma maluquice.
Não sabia se ia durar cinco semanas.
Durou cinquenta e duas.
 
Quem escreve sabe. Inspiração não obedece cronogramas. Não respeita feriados. Não liga para compromissos. Algumas vezes, aparece sem ser chamada. Outras vezes, se esconde por semanas. Histórias não acontecem a todo o momento.

Mesmo assim, anunciei que toda sexta-feira haveria um novo texto — conto ou crônica.
Sem estoque.
Sem garantia.
Sem plano B.
Sem cinto de segurança.

Durante este último ano, houve semanas em que a ideia apareceu logo cedo, quase pronta.
Em outras, o texto chegou atrasado, sonolento, pedindo mais tempo.
Alguns nasceram de lembranças antigas. Outros vieram de uma frase ouvida na rua, de uma notícia, de um sonho, de uma indignação ou de uma gargalhada.
Lavadeira, sambista, fantasma, saruê, velho fujão, gente esquecida pela História e gente que mora dentro dela — todos passaram por aqui.
Houve silêncio.
Houve barulho.
Houve vento.
Principalmente vento.

Nestas últimas 52 semanas, todas as sextas-feiras, sem exceção, alguém pode tomar um café e ler uma história.

Confesso que, quando comecei, imaginava que o maior desafio seria escrever.
Estava enganado.
O maior desafio foi continuar.
Continuar quando o texto não vinha.
Continuar quando a vida resolvia atrapalhar.
Continuar quando surgia a tentação de deixar para a próxima semana.
Mas toda semana trazia sua sexta e seu conto ou crônica.
 
Um ano depois, a ressaca literária ficou para trás.
No lugar dela surgiu uma cesta de histórias.
Todas carregando um pedaço do olhar de quem escreve e do tempo em que foram escritas.
Por isso, neste aniversário, quero comemorar o essencial: o Desafio.

Muito Obrigado a todos que passaram por aqui.
Aos que leram um único conto.
Aos que acompanham desde a primeira sexta-feira.
Aos que comentaram.
Aos que discordaram.
Aos que compartilharam.
Aos que apareceram apenas para tomar um cafezinho e ouvir uma história.
Seguimos.
Porque já descobri uma coisa:
toda sexta-feira existe uma história esperando para ser contada.
 
O blog nasceu de uma ressaca. Sobreviveu pela teimosia. Ficou de pé pela presença de vocês.
 
SEXTA DE CONTOS E CRÔNICAS entra no segundo ano com o mesmo desequilíbrio de origem. Sem mapa, sem manual, sem garantias.
E eu continuo gostando de viver esse pequeno desequilíbrio.
Obrigado por ficar.
 
(aqui vai o link para o texto inaugural:
https://sextadecontos.com/2025/07/01/hello-world/)

Nos vemos na próxima sexta.

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