Uma história toda sexta-feira.
Contos, crônicas e outras histórias de Delman Ferreira.
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Mulher
por ser mulherme sinto fortepor ser igualsinto o Homem fortepor ser livresinto a humanidade forte
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Enluarizou-se
uma noitea bateria descarregouentãosem saber o que fazerele levantou os olhosaquela lua a se espreguiçar sobre a lagoa jamais lhe saiu das retinasdesde aquela noitejazdescarregada a bateria
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não é a primeira vez que morri
não é a primeira vez que morrinão é, não senhorda vez que papai-noel me esqueceunão tinha nada pra eu sonhareu morrida vez que o menino chorou e a mãe segurou no colo não tinha ninguém…
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Quem nunca sentiu dor de dentes não sabe como é bom não sentir dor de dentes
Zenão era um homem de certezas. O dedo indicador, sempre estendido, era seu cetro. Apontava para o mendigo na calçada e sentenciava: — Preguiça. Vagabundagem. Para a mãe solteira no ponto de ônibus: — Sem-vergonhice.…
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Para o meu bem
Meu neto andava empolgadíssimo com o Homem-Aranha. Já havia assistido duas vezes no cinema, além de ver tudo o que havia disponível nos streamings. Ia passar o domingo comigo, então, decidi assistir ao filme no…
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Na ponta da língua
Tudo correu exatamente como o Professor Apolônio Temístocles planejou. Desde as primeiras palavras, a abertura com uma provocação que prendeu as atenções, algumas brincadeiras, algumas reflexões. A plateia está encantada. As pessoas absorveram a mensagem…
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Arma secreta
Meu neto Marcelo jurava que tinha visto os dedos de um alienígena saindo do ralo da pia do banheiro. Depois disso, não queria mais entrar ali. — Eram uns dedos beeeemmm finos e beeeemmm grandes.…
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Uma vida em cinco paradas
O ônibus parou no primeiro ponto da Avenida Mauro Ramos. Eu estava sentado logo nos primeiros bancos. Na parada, uma senhora cheia de sacolas. Levantei e a ajudei. Sem perceber, ela sentou no meu lugar.…
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Praça da Abolição
Januário Ribeiro conseguiu um trabalho na praça. Desempregado, pai de três filhos, aceitou antes mesmo de saber do que se tratava. A praça ficava logo abaixo do morro. Descendo pelo atalho, pouco mais de um…
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Nos pés de João Patada
No antigo Beco do Júlio, atual Rua Júlio Dias Humberto estava com onze anos quando a família mudou para Coqueiros. Logo fez amizade com os meninos da vizinhança. No sábado, sempre havia racha no campinho do…
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Um ano sem cinto de segurança
Um ano atrás, mandei uma mensagem para uma lista de amigos com um conto anexado e um compromisso arriscado: toda sexta-feira, um texto novo. (No final, vai um link para a mensagem inaugural). A ideia parecia…
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Olhos arregalados
No meio da meia-noite, estilhaços no silêncio. Mas antes, vamos recuar até as cinco da tarde. Tainha assada. Ova com limão. Roda boa. Conversa animada. Divertida. Inteligente. Os assuntos flutuavam sem pauta nem destino. Cerveja.…
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Desver
Eu devia ter ficado em casa naquela noite. Fui ao Bar do Adelar porque alguém disse que Narciso Junior ia aparecer nas mesas. Há dez anos, isso era sinônimo de espetáculo. Eu tinha visto Narciso…
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Olhos na tela
conheceram-se seduziram-se descobriram-se apaixonaram-senamoraram brigaram casaramtiveram filhos sonhos ciúmes ilusões desilusões vinténs planos viagenslugares mundos fundos pelo Instagram tudo pelo Instagram indignaram-se marcharam protestaramde tanto gritar seus dedos ficaram roucos pelo Instagram tudo pelo Instagram ela tinha nos…
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Filosofia numa hora dessas?
Terra úmida, folhas caídas, raízes, cheiro de mato depois da chuva. Não conseguia entender nada. Está preso debaixo de um automóvel. À volta do carro, uma multidão. Paramédicos, polícia, curiosos. Tumulto geral. Todos falavam, todos…
